Você sabe exatamente quanto sua loja precisa faturar por mês para não ter prejuízo?
No varejo, onde as margens costumam ser apertadas e os custos aumentam com frequência, essa resposta é decisiva. Ainda assim, muitos pequenos empresários misturam finanças pessoais com as do negócio e, por isso, acabam tomando decisões sem base em números confiáveis. Como resultado, o caixa sofre e o risco de prejuízo cresce.
Além disso, em 2026, com as mudanças trazidas pela reforma tributária, esse cenário tende a ficar ainda mais desafiador. Nesse contexto, entender o ponto de equilíbrio no varejo deixa de ser opcional e passa a ser essencial para a sobrevivência do negócio.
O que é ponto de equilíbrio e por que ele é tão importante no varejo
De forma simples, o ponto de equilíbrio é o nível de faturamento em que a empresa não tem lucro nem prejuízo. Ou seja, nesse ponto, todas as despesas fixas e variáveis já estão pagas, porém ainda não há ganho financeiro.
No varejo, esse indicador é especialmente importante porque, em geral:
- as margens são reduzidas;
- os impostos impactam diretamente cada venda;
- estoques mal planejados geram perdas constantes;
- e a variação de demanda afeta rapidamente o caixa.
Além disso, a partir de 2026, a adoção do IVA Dual, com IBS e CBS, exige um controle financeiro muito mais preciso. Por isso, qualquer erro de cálculo pode comprometer o capital de giro em pouco tempo.
Como calcular o ponto de equilíbrio no varejo passo a passo
Embora o nome pareça técnico, o cálculo do ponto de equilíbrio é bastante simples. Inclusive, ele pode ser feito em uma planilha ou com apoio de um sistema de gestão.
Fórmula básica
Ponto de Equilíbrio (em receita) =
Custos Fixos ÷ Margem de Contribuição
Para aplicar corretamente, siga os passos abaixo.
1. Liste todos os custos fixos
Primeiramente, liste todos os custos fixos, ou seja, aqueles que não variam conforme o volume de vendas, como:
- aluguel;
- salários fixos;
- energia, água e internet;
- sistemas de gestão;
- serviços recorrentes.
👉 Exemplo:
Custos fixos mensais = R$ 10.000
2. Identifique os custos variáveis
Em seguida, identifique os custos variáveis, que aumentam ou diminuem conforme as vendas. Entre eles estão:
- custo das mercadorias;
- comissões;
- fretes;
- impostos sobre vendas, incluindo IBS e CBS em 2026.
Depois disso, calcule quanto esses custos representam do faturamento total.
👉 Exemplo:
Custos variáveis = 60% das vendas
3. Calcule a margem de contribuição
Em seguida, calcule a margem de contribuição, que indica quanto sobra das vendas para pagar os custos fixos.
Margem de contribuição = 1 – custos variáveis
👉 Exemplo:
1 – 0,60 = 0,40 (40%)
4. Encontre o ponto de equilíbrio
Por fim, aplique a fórmula:
R$ 10.000 ÷ 0,40 = R$ 25.000
Isso significa que sua loja precisa faturar R$ 25.000 por mês apenas para empatar. A partir desse valor, qualquer venda adicional começa a gerar lucro.
Exemplos práticos no varejo
Mercadinho de bairro
- Custos fixos: R$ 20.000
- Custos variáveis: 60%
- Margem de contribuição: 40%
👉 Ponto de equilíbrio:
R$ 20.000 ÷ 0,40 = R$ 50.000
Portanto, se o faturamento mensal cair abaixo desse valor, o prejuízo aparece rapidamente. Por isso, controlar perdas, ajustar o mix de produtos e acompanhar margens é fundamental.
Loja de roupas
- Custos fixos: R$ 15.000
- Custos variáveis: 55%
- Margem de contribuição: 45%
👉 Ponto de equilíbrio:
R$ 15.000 ÷ 0,45 = R$ 33.333
Portanto, nesse caso, a sazonalidade influencia bastante. Enquanto alguns meses apresentam ótimo desempenho, outros exigem atenção redobrada. Assim, acompanhar o indicador evita decisões precipitadas e o uso indevido do caixa.
5 práticas para evitar prejuízo no varejo em 2026
- Separe finanças pessoais das empresariais
Caso contrário, os números ficam distorcidos e as decisões perdem precisão. - Acompanhe o ponto de equilíbrio mensalmente
Sempre que custos ou impostos mudarem, refaça o cálculo. - Reavalie preços com base na nova carga tributária
O split payment reduz o dinheiro disponível no caixa. - Otimize estoques continuamente
Além de consumir capital, produtos parados aumentam o risco financeiro. - Inclua lucro como meta, não como acaso
Em vez de esperar sobras, ajuste o cálculo para considerar um lucro mínimo desejado.
Como a tecnologia ajuda a manter o equilíbrio financeiro
Embora fazer esses cálculos manualmente funciona, acaba consumindo tempo e aumentando o risco de erro. Além disso, sistemas de gestão integrados permitem:
- controle automático de custos e impostos;
- relatórios financeiros em tempo real;
- acompanhamento claro do ponto de equilíbrio;
- visão integrada de estoque, vendas e financeiro.
Com o apoio de sistemas de gestão bem estruturados, o varejista ganha previsibilidade e segurança para enfrentar 2026 com mais tranquilidade.
Como referência externa, conteúdos do Sebrae reforçam a importância do controle financeiro para a sobrevivência de pequenos negócios.
Conclusão
Em resumo, entender e aplicar o ponto de equilíbrio no varejo não é apenas uma questão de matemática, mas de estratégia. Em um cenário de mudanças fiscais, margens pressionadas e maior controle tributário, quem domina seus números sai na frente.
Portanto, ao acompanhar custos, ajustar preços e usar a tecnologia a seu favor, o varejo deixa de reagir a problemas e passa a planejar o crescimento. Dessa forma, evitar prejuízo deixa de ser um desafio e se torna parte da rotina de uma gestão saudável.


