O varejo global chegou a um ponto de virada histórico. Pela primeira vez, a Temu alcança a Amazon em participação nas vendas internacionais, igualando as duas gigantes com 24% do mercado global em 2025. Esse marco redefine o equilíbrio do comércio eletrônico mundial e levanta uma pergunta inevitável: o que essa disputa revela sobre o varejo atual?
Para entender a dimensão desse avanço, basta olhar para o passado recente. Há apenas três anos, a Temu representava cerca de 1% do mercado internacional. Em contrapartida, empresas consolidadas sentiram o impacto: o eBay perdeu aproximadamente 68% de participação, enquanto o AliExpress recuou cerca de 33%.
Mais do que números impressionantes, esse movimento deixa claro um ponto essencial: o varejo não é estático. Ele muda conforme estratégia, tecnologia e, principalmente, contexto regulatório.
O motor do crescimento da Temu: preço agressivo e logística eficiente
Antes de tudo, é importante destacar que o crescimento da Temu não se explica apenas por preços baixos. Na prática, ele é resultado de um modelo de operação agressivo e altamente sincronizado.
Desde o início, a plataforma apostou em:
- Cadeias produtivas altamente escaláveis
- Redução extrema de margens para ganhar volume
- Forte subsídio logístico
- Campanhas intensivas de aquisição de clientes
Além disso, houve uma transformação relevante na logística internacional. Em 2020, cerca de 30% das encomendas transfronteiriças levavam mais de 15 dias para chegar ao consumidor. Atualmente, esse índice caiu para aproximadamente 7%.
Como resultado, a principal barreira de compra em sites estrangeiros foi drasticamente reduzida. O consumidor passou a enxergar plataformas internacionais como opções viáveis, e não mais como escolhas arriscadas ou demoradas.
O fim das vantagens fiscais e a mudança no jogo do varejo
Apesar do desempenho histórico em 2025, o cenário para 2026 já começa a mostrar novos desafios. Estados Unidos e países da Europa decidiram eliminar a regra do “de minimis”, que permitia a importação de pacotes de baixo valor sem cobrança de impostos.
Na prática, isso provocou mudanças importantes:
- Impostos passaram a ser cobrados diretamente no checkout
- O preço final ao consumidor aumentou
- Parte da vantagem competitiva de custo foi reduzida
Consequentemente, empresas já estabelecidas localmente, como a Amazon, passaram a operar em vantagem. A big tech conta com centros de distribuição regionais, estrutura tributária consolidada e uma logística de última milha extremamente eficiente.
Esse cenário reforça uma verdade antiga do varejo: vantagens competitivas não são permanentes. Elas dependem diretamente do ambiente econômico, fiscal e regulatório.
O impacto dessa disputa no comércio em geral
Embora a disputa entre Temu e Amazon envolva gigantes globais, seus efeitos chegam diretamente ao comércio local e regional.
Hoje, o consumidor se acostumou rapidamente a:
- Preços competitivos
- Entregas cada vez mais rápidas
- Processos de compra simples
- Experiências eficientes e sem fricção
Quando esse padrão se estabelece, o comportamento do consumidor muda. E o comércio que não acompanha essa evolução tende a perder competitividade, mesmo atuando em mercados menores.
Portanto, a grande lição não é competir com Amazon ou Temu, mas entender que o nível de exigência do consumidor é definido pelos melhores do mercado.
Atualização constante como estratégia de sobrevivência no varejo
A trajetória da Temu mostra que crescimento acelerado exige adaptação constante — e que cenários favoráveis podem mudar de forma abrupta.
Por isso, o varejo precisa, cada vez mais:
- Monitorar custos e margens com frequência
- Ajustar preços de forma estratégica
- Acompanhar mudanças logísticas e fiscais
- Ter controle sobre vendas, estoque e financeiro
Empresas que ainda dependem de controles manuais ou dados fragmentados costumam reagir tarde demais às mudanças. Em contrapartida, aquelas que acompanham indicadores em tempo real conseguem corrigir o rumo com agilidade.
Informação e controle como vantagem competitiva
Em um mercado dinâmico, informação atualizada vale tanto quanto preço ou produto. Ter dados organizados permite entender o impacto de mudanças externas, antecipar riscos e identificar oportunidades.
Mais do que seguir tendências, o varejo precisa construir uma base sólida de gestão, capaz de sustentar decisões em cenários instáveis. Quem se mantém informado não apenas reage melhor — se antecipa.
Conclusão: o mercado não espera quem não se adapta
A disputa entre Temu e Amazon prova que não existe liderança definitiva no varejo. O que existe é capacidade de adaptação.
Para o comércio em geral, a mensagem é direta: manter-se atualizado deixou de ser opcional e passou a ser condição básica de sobrevivência. Processos organizados, dados confiáveis e atenção constante ao mercado são os verdadeiros diferenciais em um cenário onde tudo muda rápido.


